Artes marciais para mulheres 

A prática de artes marciais vem crescendo tanto nos últimos anos que se tornou febre em Nova York, entre as celebridades que descobriram o Kung Fu, também na França e Rússia onde a predileção é o Judô.
Mas o que chama mesmo a atenção é o aumento do número de mulheres que vem procurando este tipo de esporte.
Em suas pesquisas, o psicólogo especializado em Antropologia Mauro Godoy revela que um dos grandes motivos das pessoas procurarem esportes é o de testar os próprios limites e saber como lidar com eles. “Imagine você entrar em um supermercado com um talão de cheques para fazer compras, sem saber quanto tem no banco. Quanto mais conhecemos nossos limites, mais segurança temos e este conhecimento precisa ser testado periodicamente, já que mudamos todos os dias. Os esportes em geral proporcionam este auto-conhecimento, mas nem todos são tão completos, e baratos, quanto as artes marciais. Saber administrar a própria força e agressividade, não deve ser exclusividade dos homens. Em um mundo competitivo, conviver com a raiva, defender e atacar, são realidades freqüentes e a mulher vem participando disso tanto quanto o homem”, conta o terapeuta.
O Judô desenvolve a flexibilidade, os reflexos, a rapidez dos julgamentos e tem um sentido filosófico, principalmente se compararmos com os acontecimentos na vida, de saber cair e se levantar. O Karate-dô é excelente para treinar foco, explosão, ou seja, ter domínio sobre si mesmo. O Kung Fu está entre os mais completos, pois exige uma bateria de atividades que vão desde a meditação até o uso de antigas armas de guerra.
A psicóloga e empresária Vera Lucia Sugai é faixa preta de Judô e de Aikidô. Aos 59 anos, iniciou suas atividades marciais aos 49 e que não vê prática mais oportuna para o mundo em que vivemos:
“Um enorme contingente de mulheres poderia optar por uma arte dessas não o fazem por acharem violentas ou exclusivamente masculinas. Puro engano, visto que favorece em muito a saúde, a beleza corporal, a firmeza de toda a musculatura e a postura. O que se desenvolve mesmo é o jeito e não a força. Sob o ponto de vista psicológico é vivenciar um universo masculino, mais duro e objetivo, um mundo de poucas palavras e muita ação, coisa difícil para nós mulheres. É uma oportunidade de descobrir o que de fato nela é frágil e forte também, desmistificando uma idéia falsa e obsoleta da feminilidade”.


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