As gerações

Para Carl G. Jung a mente humana possui padrões de comportamento, denominados Arquétipos, que são verdadeiras referências de valores e virtudes. Se ampliarmos esta teoria vamos entender que a humanidade também tem comportamentos padronizados, que costumamos chamar de gerações, cada uma com um estilo ou mentalidade. Quando um padrão entra em moda, atinge seu auge e logo é superado por seu sucessor, sendo que este ciclo obedece uma média de 14 anos se observarmos histórica ou estatisticamente.

Começando por 1900, vamos encontrar um período onde a vida das pessoas era por demais voltada para a família. Houve um seriado na década de 80 chamado Os Waltons, símbolo de uma família unida, representando uma época de imigração e industrialização, mudanças radicais que voltavam as atenções para a origem de cada um, talvez como forma de referência. Assim foi a década de dez. Quem nasceu nessa época, foi lutar na Segunda Guerra para defender a família e morrer pela pátria.

Depois de 1914 até 1928, o boom da máquina tentando substituir os processos orgânicos, culminou no crash de 29. Houve uma esbórnia de consumo, tanto material quanto humano, onde a moda era viver cada momento como se nada fosse faltar no futuro, que era tão promissor quanto enganoso. Foi a época do charleston, da máfia, no Brasil o teatro de revista, onde a ordem era brilhar e se divertir, mentalidade que se manteve aos que nasceram neste período, criando líderes ambiciosos e boêmios felizes.

De 1929 a 1942, desapareceram os profissionais liberais e surgiram os operários convictos, com uma forma servil de entender o mundo. Pessoas que buscavam um “mundo perfeito”, criticando a geração anterior, substituindo a alegria pela obediência. Com o trauma e as demais consequências da crise de 29, a humildade e a sobrevivência passaram a virar moda. Surgiram grandes ditadores, não somente porque eles queriam mandar, mas porque o povo queria obedecer. Enquanto um mandava, milhões obedeciam. Costuma-se dizer que quem nasceu nessa época foi escravo dos pais e depois tornou-se escravo dos filhos. Na maturidade, com o poder nas mãos, criaram a ditadura militar, a Guerra Fria e trataram a natureza com desprezo.

Em 1943, a Segunda Guerra Mundial tomava um outro rumo com a invasão dos aliados na Itália e com o final da guerra, houve o início de um mutirão para reconstruir o mundo destruído.
Até 1956 um clima de união predominou estimulando uma mentalidade pacífica e fraterna (paz e amor) que ficaria incutida na geração das crianças nascidas nessa época.

De 1957 a 1970, a nova ordem era uma combinação de sexo, drogas e rock and roll.
O movimento hippe simboliza perfeitamente o clima que existiu nos 15 anos anteriores e a influência sob os que nasceram nele. Surgiu o maniqueísmo, dividindo o mundo em esquerda e direita. Quem não tinha tradição, família rica e propriedade, foi massificado e condenado a viver entre a ignorância e a pobreza, os que ousavam ter opinião própria eram punidos. Só restava mesmo ouvir música, drogar-se e fazer sexo.

Entre 1971 a 1984, uma época onde o exagero, dos cabelos compridos, a roupa colorida, a aventura e o bom humor viram moda.
Era comum acampar, pegar carona e filosofar. A pressão dos poderosos que impunham um mundo dividido entre ricos e pobres atingia o seu auge, para encarar depois a decadência. As consequências do exagero e do encontro com a liberdade também chegaram. O sexo conheceu a AIDS e a juventude cansou de pregar a paz e o amor, tornando-se punk.
O computador tornou-se doméstico, apontando para uma maior atenção ao conhecimento pelos meios de comunicação. Quem nasceu nessa época, costumava usar boné, como fosse um símbolo de aventura, mas sua intimidade com a informática e os videogames superariam o gosto pelo movimento.

De 1985 a 1998 surgiu o Yuppie, o Mauricinho e a Patty, um período em que ser bem sucedido, ter um gordo salário, um bom carro e poder comprar tudo o que quiser passou a ser um modo de vida de quem é vitorioso. O trabalho e o crescimento financeiro superaram o amor, a família e, muitas vezes, o bem estar. A tecnologia dispara e a população mundial cresce cinco bilhões em 55 anos, saindo de um bilhão e meio de pessoas em 1945 a seis bilhões no final do século. Foi ficando cada vez mais difícil se tornar Mauricinho e sustentar a Patricinha.

Desde 1999 até 2012, o vazio causado pela geração anterior, obsessiva pelo trabalho, pode ser comparado às “bolhas” que surgiram nas economias americana, européia e chinesa. O excesso de trabalho, valorizando o status, deu espaço à busca pela qualidade de vida, simplificação da sobrevivência, enfim à tecnologia. A substituição da mão de obra gerando desemprego e a praticidade dos relacionamentos via internet acabam criando um tempo ocioso que o homem nunca teve. Comprar, vender, estudar, trabalhar, conhecer pessoas, namorar e até fazer sexo tornou-se possível dentro do mundo virtual. A geração internauta passa a prega o pensamento e o desenvolvimento do cérebro, em detrimento do corpo de quem fica parado, sentado e movendo os músculos de alguns dedos. (Lembre-se de piscar na frente do computador).

Seguindo essa teoria, à partir de 2013 até 2027, o avanço tecnológico pode trancender ao poder político e econômico revolucionando as oligarquias, que ao serem vigiados pela maioria virtual devem entregar o que resta dos antigos costumes para um novo mundo. Posicionar-se e participar do mundo em que vivemos torna-se tão necessário quanto fácil. Não haverá como controlar os olhos de 8 bilhões de pessoas (previsão da população mundial em 2020) participando criticamente de cada ação pública.
Tudo que dá ou pode dar errado entre os poderosos tende a perecer ao julgamento fuminante dos olhares virtuais.

Entre 2028 e 2041 a probabilidade de novas leis, costumes, modas e tecnologias adequadas à geração produzida pelo mundo virtual será uma consequência. Ao invés do mundo se adaptar às novas invensões, poderá ser possível que uma nova grande invenção venha se adaptar ao novo mundo.

Afinal, a humanidade leva 14 anos para ficar cansada, depois parte pra outra…

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