Hormônios femininos.

MULHERNem toda a mulher sabe que quanto mais feminina ela for mais saúde terá, porque o estrogênio, hormônio que torna a mulher feminina, funciona como um verdadeiro maestro do seu organismo.
Segundo a Fisiologia, a produção do estrogênio começa na adolescência e diminui na menopausa.
Responsável pelo equilíbrio e a distribuição das gorduras no corpo e no sangue, tais como colesterol e triglicérides, textura da pele, fixação do cálcio nos ossos e muito mais. Evita a aparição de doenças, além de desenvolver seus naturais traços femininos.
Ao contrário do que muita gente pensa, o responsável pela sensualidade e a atração sexual é a testosterona, que a mulher também produz e continua produzindo depois da menopausa, por isso a não necessária diminuição do apetite sexual nesta fase.
Na psicologia, a produção do estrogênio pode ser estimulada, através da simples vontade de ser feminina e de conviver com esse universo.

Para o psicólogo Mauro Godoy, a relação que a mulher tem com sua própria feminilidade, torna-se uma história romântica no decorrer da vida, mas nem sempre com um final feliz. Quanto mais bem sucedida se é como mulher, mais estímulo haverá para continuar tendo os ingredientes da feminilidade, como sensibilidade e delicadeza, bem como a vontade de se realizar no amor. Um jeito de canalizar e então fluir o estrogênio.
Já o fracasso amoroso, ou a dificuldade em ser feminina, podem fazer com que a pessoa abandone o lado mulher, substituindo-o por outra postura, como profissional, masculina ou mesmo maternal. Sendo que esta última é gerada pela progesterona, hormônio também produzido entre a adolescência e a menopausa, com a função de preparar o interior do útero para a gestação, responsável pela maternidade, torna a mulher matrona, protetora, enfim a grande mãe.

“É muito comum encontrarmos casais apaixonados até surgirem os filhos, depois o homem vira o pai e a mulher assume ser somente mãe. Às vezes, esta anulação vai além das inibições sexuais e atingem a própria identidade da pessoa, quando se é mãe 24 horas por dia, durante anos”, explica Godoy.

O especialista finaliza revelando que o organismo conta com uma regra: Quanto mais se usa, mais se tem. Por isso, a produção do estrogênio depende da simples vontade da mulher administrar a sua parte feminina, com os outros e principalmente consigo mesma. Assim, poderá evitar complicações como a depressão, irritabilidade, problemas cardiovasculares, ondas de calor, osteoporose, entre outras doenças causadas pela falta deste importante hormônio.

Mauro Godoy


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A Transferência Médico x Paciente

O processo da transferência ocorre quando um paciente se apaixona pelo médico, psicólogo, dentista, advogado, etc. A carência, o sofrimento causado pelo acúmulo de problemas e a satisfação por encontrar alguém disposto a se envolver profissionalmente e resolver o problema, faz com que seja comum o surgimento de amor pelo protetor.

Estas relações costumam não dar certo, sendo muito raros os casais que tiveram uma relação estável ou mesmo casamento.
A imagem projetada no curador chega a ser de ídolo, mas por trás desse papel existe uma pessoa que não é conhecida pelo paciente, que não é exatamente um herói, mas um ser humano normal.

Quando as máscaras caem e as pessoas se vêem de verdade costuma haver um choque capaz de fazer o amor desaparecer, mas sempre há exceções.
O que deve ser feito nestes casos é o paciente se declarar, procurar ouvir a versão do médico que foi preparado para esta situação, pois a transferência é frequentemente comum em consultório e exaustivamente estudada na faculdade.

Caso haja a contratransferência, ou seja, o médico também se apaixona pelo paciente, o que deve acontecer é ambos interromperem o tratamento, com a indicação de outro profissional. A partir da interrupção, ambos estarão livres, mas devem ter consciência de que o “amor” existente pode ser o “conteúdo psíquico” da própria doença a ser vivido através de um relacionamento.

O que é mais natural acontecer é o médico tentar devolver o afeto através da dedicação e da cura. O paciente melhorado passa a gostar mais de si próprio, amor por si mesmo que pode ser o mesmo que havia antes pelo protetor.

Mauro Godoy


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A Síndrome de Estocolmo

1)      O que é a síndrome de estocolmo?
E um estado psicológico onde uma pessoa vítima de seqüestro passa para o lado do seqüestrador, desenvolvendo simpatia, identificação ou qualquer aproximação ao criminoso.

2)      Como ela se desenvolve?
Normalmente como uma “estratégia”da vítima para defender-se usando gentileza, passividade e atenção. Existe até um jargão que descreve essa atitude: “relaxa e goza”.
A doença surge quando, com o passar do tempo, a vítima começa a esquecer que estava representando e a repetição, ou seja, o costume diário transforma o que seria uma tragédia em uma simples rotina, onde um passa a fazer parte da vida do outro.

3)      Qualquer pessoa pode ter ou apenas alguém que já tenha problemas psicológicos?
Esta doença é reconhecida pela Antropologia Cultural como sendo inerente ao ser humano, portanto, qualquer pessoa sadia pode desenvolver esta síndrome.

4)      Quais são os sintomas?
Qualquer sentimento de afeto, identificação, defesa, formação de vínculo ou intimidade para com o seqüestrador.

5)      Ela é momentânea ou dura por um longo período de tempo?
A maioria dos portadores desta síndrome manifesta sintomas enquanto ainda estão emocionados com o que aconteceu.
São raros os casos onde a vítima apaixona-se pelo seqüestrador e passa para o mundo do crime. Como Patty Hearst em 1974, por exemplo.

6)      Ela é comum?
Sim, mas devemos considerar que ela existe com maior freqüência em ambientes de guerra, campos de concentração, pessoas que são submetidas à prisão por familiares, vítimas de abusos, como mulheres e crianças submetidas à violência doméstica.

7)      Qual é o tratamento para o problema?
A maioria das vítimas não desenvolve traumas ou complexos. O tratamento pode ser a retomada de consciência da real situação. Identificar quem é cada pessoa e o qual o papel que cada um desempenhava. Esclarecer o fato, de maneira que as defesas desenvolvidas pela vítima sejam compreendidas como força e não fraqueza.

8)      Que tipo de conseqüências o problema pode trazer para a vida da pessoa?
Existem casos graves como perda de identidade, esquizofrenias ou psicose, mas para pessoas que já tinham potencialmente estas tendências. Como foi citada acima, a maioria das pessoas não desenvolve traumas com esta síndrome.

9)  A partir da síndrome é possível desenvolver outros problemas como síndrome do pânico ou depressão?
Apenas para pessoas que já apresentavam potencialmente estas tendências.

10)  Dicas para lidar com alguém com a síndrome de estocolmo.
Procure entender que se trata de um mecanismo de defesa da própria mente da pessoa. Não é uma doença grave, mas uma confusão emocional que qualquer pessoa pode desenvolver ao passar por um seqüestro.
Um tratamento profissional deve ser buscado.

Bullying 

Falar de um bando de opressores atacando covardemente uma pessoa indefesa, pode parecer cena de um filme de gladiadores, porém hoje, em pleno 2007, ainda existe o bulling, palavra inglesa para nomear a humilhação em massa, tem sido praticado principalmente nas escolas.
Em um levantamento realizado pela ABRAPIA, em 2002, no Rio de Janeiro, entre 5.875 estudantes de quinta a oitava séries, mais de 40% desses alunos tiveram experiência em atos de bullying, somente naquele ano. Outra pesquisa realizada na Grã Bretanha, mostra que 37% das crianças consultadas admitiam passar por essa experiência, pelo menos, uma vez por semana.
Este problema social pode ser esclarecido pela teoria da fase fálica de Sigmund Freud.
Nesta teoria, as crianças entre 4 e 6 anos descobrem as diferenças sexuais e desenvolvem o senso de competição, conhecendo sensações que podem ir da castração, no caso da menina, complexo de inferioridade, no caso dos menores, ou até a megalomania, caso dos meninos maiores.
Durante esta fase é natural haver o bullying, porém a fragilidade física das crianças dessas idades sempre foi suficiente para evitar qualquer conseqüência grave. Com isso, as crianças aprendem naturalmente a competir, conviver com quem está acima ou abaixo em relação à força e competência. Após os 7 anos, as crianças entram na fase de latência, tornando-se mais contemplativa, rendendo-se aos estímulos externos, passando a dar menor importância às descobertas físicas por algum tempo.
Outra teoria cabível para entender o bullying, é um processo emocional chamado de regressão, quando de forma inconsciente nos comportamos como crianças ou até bebês.
Um estímulo frequente para a regressão ocorre quando nos vemos em grupo, compartilhando sensações de força e euforia, como em um estádio de futebol, ou show de música, por exemplo. Assim, qualquer aglomeração pode tornar seus membros infantis e inconseqüentes.
Associando este fenômeno a uma velha teoria usada em terapia de grupo, onde a falta de igualdade pode levar a dois pólos: Um chamado de “elemento estrela”, caso do melhor componente do grupo e outro de “eminência parda”, considerado o mais fraco, às vezes a vergonha da equipe, quase que merecedor do bullying, quando um grupo sem liderança, em estado de regressão, pode agir como crianças fazendo uma brincadeira de mau gosto.
Pode-se aprender com as próprias crianças, com idades entre 4 e 6 anos, a provável solução natural deste fenômeno. O fato de existir alguém acima, mais forte, capaz, ou seja, uma autoridade, leva as crianças a aprenderem a respeitar e desenvolver controle sobre si mesmas.
Enfim, o bullying pode ser o resultado da falta de liderança em qualquer grupo onde existam eminências pardas e pessoas emocionalmente infantis.

Mauro Godoy


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SINCRONICIDADE

No livro Sincronicidade de Carl G. Jung, é provado que o comportamento do ser humano possui padrões que podem ser contados e, por incrível que pareça, não são de grande número. A este fato, Jung menciona que “os padrões de comportamento são quantitativos”.

Chama-se padrão de comportamento, virtudes, defeitos, costumes ou qualquer adjetivo que se possa dar a uma pessoa, caracterizando-a pelo que se sobressalta em sua personalidade. Cada virtude, Jung chamava de Arquétipo, como exemplo podemos citar a beleza, a coragem, a inteligência, a bondade, etc.

Vamos tomar como prova a inteligência. Ela não é um privilégio de apenas uma pessoa, visto que muitas podem ser inteligentes, por isso as semelhanças são simultâneas.
Quando encontramos várias pessoas com a mesma virtude, é comum que haja entre elas outras igualdades, como conceitos, decisões, interpretações e até sentimentos. Portanto, as conclusões tomadas por pessoas de mesmo grau intelectual sobre um assunto podem se repetir.

À esta repetição, Jung deu o nome de Sincronicidade, ou seja, simultaneidade.
Ao nos aprofundarmos encontraremos coisas simultâneas obedecendo uma lógica simples, sempre apontada para a mesma direção.
Quando desenvolvemos virtudes, é comum que passemos a notar muito mais as que nos são parecidas e o movimento gerado por pessoas que têm a mesma intenção passa a gerar coincidências. Por exemplo, torcedores de um time de futebol que acabou de vencer um campeonato irem para o mesmo lugar, na mesma hora, sem terem combinado. Elas tiveram simultaneamente a mesma vontade.

As circunstâncias formadas pela sincronicidade, geram coincidências e uma integração com a natureza. É como a cadeia alimentar, as órbitas dos planetas e das estrelas, etc. Uma lógica matemática infinita que reforça nossas semelhanças e pode nos dar dicas sobre o que está acontecendo.

Cada coincidência que encontramos na vida nos coloca em sintonia com o universo, nos faz sentir integrados a ele e nos sensibiliza para um desenvolvimento maior da nossa percepção. Que existe uma lógica profunda e genial ao nosso redor, garantindo uma sensação de que não somos soberanos, que existe um ser superior ou uma natureza divina.
Quando nossos conceitos, ídolos ou heróis são bem escolhidos e definidos, passamos a ter mais certeza sobre quem somos e para onde queremos ir, pois exploramos as mesmas virtudes.

No plano inconsciente, existem os sonhos precognitivos onde o sincronismo mente e universo também se dá e podemos sonhar com algo antes dele acontecer. Ou fatos como um déjàvu (sensação do já visto), que para Jung também está relacionado ao sonho cognitivo.
Conclui-se então, que existe uma ordem natural em todas as coisas do universo, que se manifesta nas coincidências e nós pertencemos a ela.

Mauro Godoy


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A Timidez

A timidez não é um problema e sim um dos sintomas de um problema.
As causas podem ser várias, como o próprio fator genético, a falta de equilíbrio da personalidade, incompreensão sobre si mesmo, insegurança, por fim, o desconhecimento dos próprios limites.

Uma explicação neurológica está nas substâncias que compõem o cérebro:
A massa cinzenta é responsável pela autocrítica e o conceito de certo ou errado. A massa branca é que dá inteligência, criatividade, facilidade para mentir, etc. Uma predominância demasiada de massa cinzenta pode levar à timidez.

Outra explicação, desta vez psicológica, está na estrutura emocional.
Uma pessoa que amadureceu com a superação de diversos desafios na vida, ganha segurança para se impor. Quem não se deu esta oportunidade, sofreu menos, mas não irá ganhar maturidade desta forma, daí um dos sintomas que vão aparecer pode ser a timidez.

O auto-conhecimento comprovadamente leva a uma maior segurança.
Atividades físicas e mentais onde se possa testar e acompanhar os próprios limites são formas naturais de buscar espontaneidade, ou seja, uma melhor fluência de si mesmo.

O indivíduo tímido tende a tornar-se anti-social e fechado com quem não tem intimidade. Talvez porque saiba apenas se relacionar assim, intimamente.

Para quem é tímido e procura soluções, as técnicas usadas hoje em dia para artes cênicas são extraídas da bioenergética, psicologia e até de templos hindús, com efeitos surpreendentes que funcionam realmente.

Mauro Godoy


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Como Lidar com a Separação

SeparaçãoEm suas recentes pesquisas em Psicologia e Antropologia, o psicólogo clínico Mauro Godoy concluiu que as expectativas e os projetos de futuro aparecem em 70% dos casos de sofrimento como a maior causa da dor, e normalmente são os problemas trazidos do passado ou do presente. Além disso, muita gente não sabe a diferença entre término, perda, derrota e separação.

Segundo o psicólogo, é mais difícil lidar com os sonhos coloridos e cobertos de felicidade, do que com a realidade. “Porque as pessoas não querem abrir mão das coisas positivas, como se fossem esperanças, fontes de motivação e por isso dói ter que destruí-los. Já a realidade, por si mesma, pode provar o que deve ser feito”. Quanto às formas de rompimento, conclui que a separação pode ser subdividida em quatro formas diferentes:

término, que consiste na superação do relacionamento. Momento em que o amor foi totalmente desgastado e deixou de ser um motivo para que a relação exista. Considerando a teoria Freudiana que o amor é uma transferência, ou seja, quando se “dá um sentimento para alguém”, com o tempo, este amor retorna para quem deu, logo é incorporado novamente. Neste caso costuma haver mais problemas com a mudança da rotina, costumes antigos e as perspectivas de futuro, mas a compreensão acaba superando a dor.

A outra forma é a perda, a interrupção ou o “pé na bunda”, como se diz hoje em dia, neste caso estamos falando de abandono, rejeição, substituição, humilhação e por conseqüência, o trauma. Portanto, vale a pena respeitar o fato como se fosse um ferimento na pele, dói, infecciona, mas se bem tratado cicatriza. É o risco que corremos por estarmos vivos: morrer. A desgraça por presentear alguém com o coração, ou seja, a própria alma, e este alguém fugir levando tudo que recebeu. Encontramos um mal estar suficientemente forte para por em prova a verdadeira estrutura da pessoa. A questão é que o sofrimento, se bem administrado, pode levar ao amadurecimento. Assim como exercícios físicos, que na hora traz cansaço ou mal estar, mas quando termina leva ao fortalecimento. É sempre bom lembrar que o trauma deve ser respeitado como um ferimento e merece ser bem tratado até cicatrizar.

Outro caso é a derrota, ou seja, relacionamentos competitivos onde um dos lados insiste em conquistar o outro, não havendo total reciprocidade nas intenções. O amor próprio poderá estar em questão, bem como os princípios básicos de cada um. Muitas vezes, uma gorda onipotência pode levar um indivíduo a passar por cima de qualquer forma de respeito e impor suas vontades. Quando não dá certo, vem a derrota. Nesta situação, tudo vai depender do valor que se dá a cada uma, existindo pequenas e grandes perdas. A maior de todas é a própria morte, em seguida vêm os filhos e a mãe, relações consangüíneas e insubstituíveis. Agora, perder o homem ou a mulher significa uma situação substituível, já que houve um tempo em que a relação não existiu e há bilhões de outras pessoas no mundo. Mais uma vez, a expectativa de futuro com alguém específico pode estar mais forte e levar ao sofrimento.

Por fim, a separação em si, que implica em um consenso entre muitas pessoas envolvidas, desde o ponto de vista legal, passando pela família até a visão social. Tendo havido aquisições em comum, desde os presentes de casamento, compra de casa, filhos e despesas, o problema pode ser visto como uma mudança de casa, dá trabalho durante, mas no fim, tudo fica organizado. O problema maior é lidar com o “vazio” que fica depois. Espaço que antes era preenchido com as coisas boas e ruins da antiga relação. Aos poucos, novos compromissos, novas pessoas e projetos de futuro irão preencher esta lacuna e vale lembrar que a tendência natural é de voltarmos a ser quem éramos antes do começo da relação. Se estávamos felizes, a sensação tende a ser boa, mas se não, volta-se à mesma situação e aí a separação não tem culpa nenhuma.

O psicólogo conclui que mudar é sempre bom quando é para melhor e cabe a cada um administrar sua mudança e construir esta vida melhor. O segredo está em olhar para frente e procurar, até achar, algo que dê motivação.

Mauro Godoy


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Possessividade & Ciúme

Você sabe onde nasce a possessividade e o ciúme?
Quando uma criança completa dois anos de idade começa a entender a diferença entre gente e coisa, porque não tem a disponibilidade das pessoas como tem dos objetos. Assim, para conquistar a atenção e “ter” as pessoas como tem os brinquedos, a criança tenta entrar no mundo das pessoas onde, normalmente, a menina começa a imitar a mãe e o menino o pai. Essa investida vai se tornando profunda até que a criança acaba se envolvendo emocionalmente, ou seja, entra no Édipo, momento que o indivíduo desenvolve o seu modelo de relacionamento afetivo que poderá ser repetido por toda a vida.

O problema maior não é passar por isso e sim não passar.

Nos casos em que a criança, atingindo dois anos de idade, tiver alguém sempre atuando enquanto coisa, fazendo tudo o que ela quiser, haverá uma extensão da primeira fase e um atraso do período edipiano.

Na prática, este indivíduo vai continuar achando que gente e coisa são iguais e terá grandes possibilidades de tratar as pessoas como objetos na idade adulta.

Assim chegamos na possessividade, quando alguém trata o outro como propriedade, posse ou direito adquirido. Por exemplo os que declaram: “esta é a MINHA mulher, este é o MEU filho, este é o MEU carro e esta é a MINHA casa ”, tudo com o mesmo tom e da mesma forma.

Já o ciúme vem de um outro momento, ou seja, do Édipo. Entre três e sete anos de idade, apesar da busca desenfreada pela atenção integral da mãe, aos poucos a criança vai percebendo que nem sempre a genitora é maravilhosa e que, de vez em quando, torna-se brava ou exigente. Nessa hora, é até bom existir um pai, alguns irmãos ou qualquer outra pessoa que ocupe a mãe, de modo que eles fiquem com a chatice.
Assim, a criança vai aprendendo a compartilhar a mãe com os outros, sem perder a atenção e o afeto dela, aparecendo só quando está “boazinha”.

Nos casos em que a mãe vive integralmente para o filho, não havendo pai nem irmãos, é natural que a criança fique com a idéia de que amor é exclusividade; ou quando a mãe se submete exageradamente às vontades da criança nessa idade. Enfim, quem não aprende a compartilhar durante o período do Édipo, desenvolve potencialmente o ciúme.

Na Universidade de Harvard, EUA, a psicóloga Christine Hooker constatou, em sua tese de doutorado em psicopatologia, que o ciúme é uma combinação de possessividade e insegurança.

Uma pessoa insegura é aquela que não conhece os próprios limites, consequência comum de quem não olha pra si mesmo ou cujo amor próprio ficou para trás há muito tempo.

Encontramos assim a Mania Unipolar, que é um tipo de obsessão, ou vontade repetitiva, de um comportamento específico. Como no caso o ciúme.

Resolver este problema significa “ensinar” ao lado criança, presente em todos os adultos, que gente e objeto são diferentes, que as pessoas possuem identidade e vontade própria e que a lei garante o direito de ir e vir de cada um. O “maníaco ciumento” para resolver seu problema, precisa aprender a compartilhar e respeitar às pessoas, sem que isto lhe seja um sofrimento.

Mauro Godoy


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Agressividade pode ser o condutor do relacionamento

Se bem dosada, a quantidade de testosterona, hormônio responsável pela agressividade, pode agir como um verdadeiro condutor dos relacionamentos.
Não é de hoje que o ser humano busca ser feliz e ter estabilidade nas relações. Para alguns especialistas, o sucesso de qualquer relacionamento depende do equilíbrio entre afeto, entendimento e agressividade dos envolvidos.  Segundo o psicólogo clínico especializado em antropologia Mauro Godoy, a quantidade do hormônio testosterona, produzido tanto por homens, como por mulheres, pode ser um verdadeiro termômetro na relação.  Se em excesso ela pode transformar a relação em uma guerra, mas o que muitos não sabem é que a falta dela também pode levar um relacionamento ao fracasso.

“É a testosterona que gera o aumento da libido, ou seja, à vontade e a motivação. Quando uma relação desperta mútua agressividade, pode surgir atração física e uma competição positiva entre um casal. Porém, mal administrada, pode levar a brigas, traições, mágoas e demais diferenças. Por outro lado, a ausência de agressividade, ou seja, da testosterona em ambos, pode gerar um insustentável marasmo”.
Resultado de estudo feito por uma equipe de antropólogos da Universidade de Harvard mostra que a quantidade de testosterona diminui nos homens, quando resolvem se estabelecer afetivamente e começar uma família. Como a produção do hormônio na mulher já é pequena, isto contribui para que haja harmonia na relação. Apesar disso, o psicólogo afirma que a falta do hormônio da agressividade leva a mulher se tornar maternal, ou seja, matrona e o homem um patrono, quer dizer, um paizão, além de diminuir o apetite sexual.

Conclui Mauro Godoy que a harmonia nas relações depende muito do grau de importância que se dá para cada acontecimento. Muitas vezes fazemos “tempestade em um copo d’água”, explica. O mecanismo natural do ser humano é a saturação. As emoções sempre ficam armazenadas e vão acumulando até um dia “explodirem”, virem à tona, como um vulcão. Na Psicologia, este fenômeno é chamado de adolescência e acontece, normalmente, por volta dos 13, 28 e também 50 anos. Isto gera mudanças nas pessoas, como cobras mudando suas cascas. Nos relacionamentos acontece o mesmo, os sentimentos vão sendo reprimidos até adolescerem. Se a relação sobreviver, os envolvidos deixarão de serem infantis, para serem adultos e maduros.

Mauro Godoy

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Mitomania e a Mentira Compulsiva

mentiroso1) O que é mitomania?
Mitomania é uma doença gerada por conceitos distorcidos, ou delirantes, dos modelos básicos de uma pessoa, o que leva a uma tendência mórbida para a mentira.

2) Qual a diferença entre mitomaníaco e mentiroso compulsivo?
O mitomaníaco mente apenas sobre assuntos específicos, como o perfil dos pais, por exemplo, ou fatos específicos do passado. Já o mentiroso compulsivo não tem motivo, nem tampouco controle, para a mentira. Mente por mentir.

3) Quais os sintomas do problema?
Principalmente a insegurança, por ter a própria identidade e a vida sustentadas por uma realidade forjada, artificial. Entre outros sintomas, a dificuldade para tomar decisões e acreditar nelas, falta de autoconfiança, credibilidade e a tendência a confusão mental.

4) Quando ela começa a se manifestar na vida da pessoa?
Entre dez e treze anos de idade, o indivíduo desenvolve a saúde mental, ou seja, um equilíbrio entre o mundo interno e o externo. Assim, aprende a ter suas próprias opiniões e se relacionar formalmente. Qualquer trauma ou complicação nesta época pode desencadear conceitos errados sobre si mesmo ou a própria vida.

5) Quais as causas da doença?
Podem existir várias causas. Informações contraditórias fornecidas pelos adultos, a falta de limites sobre certo e errado, inconseqüência, muitas vezes o excesso de imaginação ou até o encorajamento para acreditar nas próprias fantasias.

6) Como deve ser o tratamento da mitomania?
Esclarecer, sem cobrança ou pressão, a razão pela qual o indivíduo está mentindo. Livrá-lo de culpas e entender até que ponto vale à pena continuar mentindo. Depois, procurar “sublimar”a doença, ou seja, transformar a vontade de mentir em uma atividade produtiva, como o uso da inventividade no trabalho, por exemplo. Pois esta pessoa, no mínimo, é criativa.

7) No caso dos mentirosos compulsivos, o tratamento é o mesmo?
A princípio sim. O problema é que o mentiroso compulsivo, em muitos casos, pode ter um comprometimento de formação, como a perversão, por exemplo, o que complicaria bastante o quadro. Daí, a mentira seria apenas um sintoma.

8) Como lidar com um mitomaníaco? (dicas para nao piorar a situação )
Procure entender que quando ele delira, ou seja, descreve algo distorcido, está apontando para uma ferida dolorida, que ele não quer que ninguém veja, encoste ou atinja.

9) Quando uma mentirinha passa a ser uma mitomania? Há como evitar o problema?
Hoje em dia, como o Marketing está na moda, é muito fácil encontrar pessoas mentindo sobre si mesmas ao preencherem um currículo, ao venderem coisas, ou até na hora de paquerar. Estas são consideradas atitudes mitomaníacas, mas o conceito de doença surge quando o comportamento gera problemas. Lembrando que “patos”em grego significa sofrimento, por isso a “patologia”.

10) Existem graus da doença? Quais sintomas classificam cada um?
O grau de uma doença é sempre proporcional ao tamanho do sofrimento da pessoa.
Alguém que prefere conviver com um passado que nunca existiu para fugir dos problemas, ou mascarar as feridas para não tratá-las, pode criar diversos sintomas. Muito difícil classificar, pois tudo vai depender do autocontrole de cada um.

11) Depois de tratada, a pessoa está sujeita a recaídas?
Sempre, pois o ser humano é uma somatória de todas as idades que já teve.
Ao tratarmos de uma pessoa adulta, podemos ter resultados muito rápidos e eficientes, mas, muitas vezes, a criança que está dentro dela não ficou convencida da mudança.

12) Outras considerações.
Muitas pessoas respeitam as filosofias orientais, principalmente a hindu.
Na Índia, os devotos de Vrsnu têm a verdade como sendo Deus em si. Para eles, mentir é como afastar-se da lucidez

Mauro Godoy

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